Por que o Propósito é o seu Novo Ativo de Sobrevivência
Se você ainda acredita que marca é apenas um logotipo bonitinho e um slogan que rima, sinto informar que você ficou preso em algum comercial de margarina de 1994. No cenário atual, onde o consumidor tem o poder de derrubar o valor de uma ação com um tweet mal-humorado, ter um propósito não é mais um luxo espiritual para empresas “hippie-chic”, mas sim uma questão de sobrevivência básica. Se a sua empresa fosse uma pessoa em uma festa e alguém perguntasse “o que você faz da vida?”, e a sua única resposta fosse “eu tento tirar dinheiro das pessoas”, você provavelmente ficaria bebendo gim sozinho no canto da sala. O propósito é, essencialmente, o que faz as pessoas quererem puxar uma cadeira e conversar com você.
Ser um especialista em branding hoje em dia é, muitas vezes, atuar como um terapeuta de corporações em crise existencial. Muitas marcas sofrem da síndrome do “código de barras carente”: elas produzem coisas, vendem coisas, mas não têm a menor ideia do porquê estão fazendo isso, além do óbvio desejo de não falir. O problema é que o lucro, por mais que os acionistas o amem (e nós também), é um resultado, não uma razão de existir. É como a respiração: você precisa dela para viver, mas se você disser que o seu objetivo de vida é “respirar”, as pessoas vão achar que você é, no mínimo, pouco ambicioso. O propósito é o que te faz levantar da cama quando o despertador toca; o lucro é apenas o que paga o café que te mantém acordado.
O grande segredo que as marcas de sucesso descobriram é que o ser humano tem uma necessidade patológica de pertencer a algo maior do que um carrinho de compras. Quando uma marca abraça um propósito real — seja ele salvar as baleias, simplificar a burocracia infernal ou garantir que todo mundo tenha um tênis confortável para correr do sedentarismo — ela deixa de vender um produto e passa a vender uma bandeira. E as pessoas adoram carregar bandeiras, desde que elas não pareçam uma tentativa desesperada de “purpose washing”. Nada é mais constrangedor do que uma fabricante de cigarros tentando se posicionar como a maior entusiasta da saúde pulmonar do planeta. O público sente o cheiro da hipocrisia mais rápido do que sente o cheiro de pão de queijo saindo do forno, e a queda no conceito é um caminho sem volta.
No fim das contas, branding com propósito é sobre autenticidade em um mundo de filtros de Instagram. É sobre entender que se você não sabe por que sua marca existe, o cliente também não saberá, e ele vai te trocar pelo concorrente assim que o algoritmo oferecer um cupom de 10% de desconto. Marcas com alma são mais resilientes, atraem talentos que não estão lá apenas pelo vale-refeição e conseguem cobrar um preço justo porque não estão apenas entregando uma mercadoria, mas sim uma visão de mundo. Portanto, se você ainda não descobriu o seu propósito, é melhor começar a cavar. Caso contrário, sua marca será apenas mais um ruído visual em um mundo que já está barulhento demais, esperando o dia em que alguém finalmente apertará o botão de “mudo”.
Marcos Le Pera tem o mesmo propósito há 45 anos: criar marcas com valor.


